Resenha – Precisamos falar sobre Kevin

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Eu li “Precisamos Falar Sobre Kevin” no final de 2012, mas como surgiu agora a oportunidade, vamos falar sobre Kevin?

O livro é simplesmente perfeito. É isso.

Eu podia terminar aqui e dizer: gente, por favor, lê. Mas vou contar um pouco mais a respeito pra quem ainda não ficou muito convencido.

Talvez você comece a ler o livro e pense: meu deus que coisa chata. Tudo bem foi assim comigo também, mas força! Acredita que vai dar certo. Se Lionel Shriver passa muito tempo detalhando a infância de Kevin, esmiuçando toda a indiferença que a pequena e linda criança sente pela mãe e todo o rancor e arrependimento que a mãe às vezes expressa pelo filho, pode ter certeza, isso é importante.

Para começar temos Eva, uma mãe que não ama seu filho. Ela tenta se justificar ao máximo, já que Kevin também não a ama. Kevin é mal educado. Kevin é um demônio. E por não conseguir estabelecer uma ligação afetiva com o filho, ela acaba se distanciando de Franklin, seu amado marido. Para agravar a situação depois de alguns anos, Eva fica grávida de novo, contra a vontade do marido, mas agora ela fará o possível para provar para si mesma que não é uma mãe tão horrível assim. Só que agora, quem não recebe bem a criança é Franklin, e Kevin, é claro.

Franklin é o contrário de Eva com Kevin, e Kevin é totalmente receptivo aos encantos do pai. Franklin protege e justifica todos os atos do filho, enquanto Eva vai ficando cada vez mais desesperada tentando alertar o marido. No meio disso tudo o leitor não sabe se culpa Eva ou Franklin pelo o que Kevin está se tornando.

O livro é escrito em forma de cartas que Eva envia para Franklin, logo você percebe que ela está relembrando a história, que eles não estão mais juntos e que alguma merda muito grande aconteceu (desculpe).

Lionel Shriver discute de forma muito real casos de jovens psicopatas que chocam a sociedade. Em base, o livro trata de um assunto polêmico, que ninguém gosta de discutir e que muitas pessoas se negam a acreditar: algumas crianças são, pura e simplesmente, más. E ainda como isso é encarado pela família, pela sociedade e pela mídia. Em momento algum o autor define de quem a culpa pelos atos de um adolescente que resolveu fazer um “grande show” na sua escola, mas acredite você não vai conseguir parar de pensar nisso. Será que a culpa é de Eva? Que nunca quis ficar grávida, que nunca conseguiu se ligar ao filho? Será que a culpa é de Franklin? Por fechar os olhos para tudo o que Kevin fazia e ainda por fazer todas as vontades do filho? Ou será que não existiria outro modo de ser para o Kevin, que desde criança consegue compreender os sentimentos e ler as pessoas, e sempre se sentiu inadequado para o mundo?

Não é um livro fácil, não é todo mundo que vai ler e gostar. É um livro profundo e que realmente me chocou, me derrubou e me deixou pensando por muito, muito tempo. Um dos melhores livros que li em 2012. Leia e me diga depois, se nós ainda não teremos muito que falar sobre Kevin.

————–

Ps. Existe um filme que foi muito bem recebido pela crítica tanto pela atuação de Tilda Swinton como Eva, como pela frieza de Kevin interpretado por Ezra Miller. Eu confesso que até hoje não assisti ao filme. Pode ser uma bobeira imensa minha, mas não me sinto preparada. E por aí já se vê o tanto que “Precisamos Falar Sobre Kevin” mexeu comigo.

 

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8 comentários sobre “Resenha – Precisamos falar sobre Kevin

  1. Definitivamente perturbador! Embora não tenha lido o livro e sim assistido o filme, achei que valeu a pena. A interpretação dos atores é impressionante e a história muito verossímil. O filme me fez refletir um pouco mais em algo que sempre acreditei, todos temos em certa medida o bem e o mal dentro de nós, aqueles que estão dentro da curva possuem um equilíbrio entre essas duas características e me parece que os sociopatas, que tanto nos chocam, têm um desequilíbrio dessas forças.

  2. Assisti o filme ano passado e gostei muito, este ano comecei a ler o livro. No filme é possível perceber algumas aflições dos personagens, mas o livro é bem mais descritível. Estou no começo do livro ainda, me simpatizei com Eva, o que não tinha acontecido no filme. Compreendo todos os sentimentos dela que ela descreve nas cartas, no filme não percebi isso.
    A história, apesar de ser ficção, é muito impactante…e comecei a ter o mesmo pensamento que você, em não ter filhos…o que me deixa preocupada também, porque sempre quis ser mãe e tenho um ótimo relacionamento com meu namorado, conseguimos conversar sobre tudo, desde uma opinião sobre unha encravada até a situação financeira do país (mas não que a gente saiba exatamente sobre o assunto), Mas se tivéssemos um filho como Kevin, acho que seria muito difícil conversar sobre.

  3. li “Precisamos Falar Sobre O Kevin” no início desse ano, eu que nunca fui uma adolescente badalada ou muito sociável (confesso que odiava a maioria dos alunos da minha escola) me identifiquei com alguns traços da personalidade de Kevin, foi um livro que me perturbou por um longo período, e eu comecei a fazer vária pesquisas sobre psicopatas juvenis, e inclusive marquei uma consulta psicológica, só para saber o que realmente vinha a ser a psicopatia em si. Parece um pouco estranho, mas eu tinha uma sede insaciável de entender como a mente de Kevin, ou de outros psicopatas funcionam, mergulhei tão fundo nesse universo que acessava mais e mais blogs de fans dos garotos collumbines e o que se vê lá são apenas garotos querendo aparecer. O drama do livro é bem mais complexo não envolve apenas o Kevin e sim toda a família, e qual foi a influência dos pais para que o garoto tenham se tornado um assassino, apesar do livro ser fictício a história retratada ali não é, é uma realidade que não está tão longe de nós.Impactante profundo e até mesmo aterrador é assim que me sinto sobre o livro de Lionel Shriver

    1. Pois é Bruna, o livro mexeu demais comigo também, mas de um jeito diferente. Eu comecei a pensar seriamente em não ter filhos! Fiquei meio apavorada com a possibilidade de viver algo do tipo. Fiquei meses pensando na responsabilidade que é colocar um nova vida no mundo. Re-lembrando como Eva foi perseguida no livro… Não sei. Fiquei realmente abalada. Minha impressão foi a mesma que essa descrita por você na sua última frase.

      Obrigada pelo comentário!

      1. Também achei uma leitura densa, mas achei o final tocante. O mesmo aconteceu com o livro Infância Interrompida, no qual aguardei ansiosamente o final para descobrir se a menina desenvolveria alguma empatia. É um assunto delicado e Lionel soube tocar nessa ferida com muita habilidade. No meu blog há um post sobre crianças aterrorizantes na literatura. Se quiser conferir:

        http://porquelivronuncaenguica.blogspot.com.br/2014/04/sete-criancas-que-tocaram-o-terror.html

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