Já faz muito tempo que eu não consigo escrever nada. E muitas vezes eu me convenço que não é falta do que escrever é só desmotivação mesmo, como agora.
Muita gente escreve para ser entendido, para encontrar no mundo um ponto de equilíbrio, para chegar à conclusão de que não está sozinho nessa coisa chamada vida.
Eu escrevo porquê penso demais. Escrevo porquê se estou andando na rua e vejo um senhor meio cambaleante tentando pegar uma sacola apoiada perto do asfalto imagino que ele vai cair e morrer atropelado por um ônibus e que alguém no meio da multidão vai dizer que eu empurrei o cara. E gasto horas dando voltas na minha cabeça com isso, acusações, defesas, lágrimas. E para escrever essa história, o que eu faria? Falaria principalmente de como me senti em relação a isso. E sinceramente, isso é muito chato.
Parabéns a todo mundo (e a mim) que vivem citando Clarice e Caio, juntos fizemos da minha pessoa ( da internet) e dos meus textos as coisas mais chatas do mundo. Porque não dá pra viver em um mundo cheio de gente tão profunda e sofredora. Eu quero ser mais fútil que isso. Eu preciso de uma folga dessa babaquice que é sentir demais por tudo.
Se você chora vendo Elisa Lucinda emocionada no desfile da escolas de samba de Vitória, amigo tem alguma coisa – muito – errada com você!
Então, oficialmente estou dando um tempo, até eu conseguir produzir algo diferente do que eu fiz até hoje.
Chega uma hora que ou você muda, ou você aceita ser quem as pessoas acham que você é, julgando sua vida pelos seus textos.
E eu não sou a menina angustiada e profunda dos meus textos, eu sou a infeliz que passou na hora errada quando o bêbado caiu e foi atropelado por um ônibus.






